Lars Von Trier e o sonho de ser Dreyer
Não somente no cinema, mas também na filosofia vê-se que alguns dinamarqueses não
são muito adeptos da religião. O filosofo Kierkgaard, já em suas teorias estuda a moral e a religião. Seguidor de suas teorias C. Th. Dreyer usava-as em seus filmes, martirizava sua protagonista, levava ao apse as cenas do seu sofrimento, deixava as próprias atrizes atormentadas com a sua busca pela veracidade.
No seu filme, A paixão de Joana D´Arc, rodado em 1928, utilizou-se de closes nos rostos dos atores para aumentar a dramaticidade. Uma de suas grandes características era a de que conseguia fazer um cinema psicológico. Dreyer é considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos, chegando a influenciar na obra de Igmar Bergman e Jean Luc Godart.
Atualmente a Dinamarca possui outro aspirante a Dreyer, que procura chamar a atenção da mídia buscando polemizar através de filmes que despertem ou interesse ou revolta. Lars Von Trier começou em 1995 quando resolveu fazer o seu manifesto – o Dogma 95- resolveu mostrar que era possível fazer cinema com poucos recursos financeiros. Mas não demorou muito para esquecer seus polêmicos mandamentos e fazer um filme caríssimo que envolviam mais de 100 câmeras.
Assim Dreyer, seus filmes utilizam-se sempre de uma heroína, mártir, sempre uma mulher, igualmente aos filmes de Dreyer. Curiosidade ou plagio o final é sempre igual aos de Dreyer, a protagonista morre. Ao menos em alguns.
Atualmente Lars quer impactar através de sua trilogia sobre a América, começou com Grace em Dogville, novidades, parece que tenha tido alguma autenticidade na ausência de cenários rodando um filme, que lembra uma peça de teatro. No primeiro Grace, é humilhada além do limite do humano, decidindo assim acabar com aquele povo. Agora em Manderlay que acaba de estrear , Grace descobre uma fazendo que ainda vive em regime de escravidão, tentando impor a democracia a força.
O novo, não foi muito bem conceituado, ainda não se sabe qual será o novo chamariz do diretor dinamarquês, apenas sabe-se que sonha em ser lembrado como Dreyer, porém suas inovações ainda não lhe asseguram esse posto, talvez já tenham notado a sua real intenção.


2 Comments:
thaíse ! acabei de achar o teu blog num link no comentário da déia-quase-magricela :) aí eu já dou de cara com um texto citando dreyer, muito bom ! assisti A palavra (ordet) recentemente, fiquei embasbacado por semanas. Procurei sobre o diretor por aí, descobri várias relações que ele faz com pinturas barrocas - principalmente o caravaggio - em suas cenas.
Tenho algumas restrições quanto ao von trier.. mas por vezes os seus filmes da série dogma mais "true" já conseguiram me conquistar.. curti bastante o drama em dogville também !
Olá! Interessante esta tentativa de Trier tentar ser Dreyer. A história se repete. Os discípulos tentam imitar seus mestres a tal ponto que se envolvem numa dialética de perder e ganhar identidade afirmando-se em meio às lições apreendidas de seus gurus. Dificilmente teremos outro Dreyer para brindar a humanidade com outros bons filmes, ao contrário, haverá seguidores de sua tendência que, dependendo da criatividade, construirão um nome. Torço para que Trier seja o próximo!
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